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Capa Haras Bela Vista: Atividades no campo melhoram a qualidade de vida das pessoas Relacionado com os acontecimentos e a correria do dia a dia, o turismo rural tem crescido nos últimos tempos. Desenvolvido em propriedades rurais produtivas, esse tipo de turismo tem ganhado muitos adeptos, em que as famílias conseguem resgatar suas origens culturais e o contato com a natureza.
A lida dos animais e da terra faz com que as pessoas participem das atividades da rotina do homem do campo. Elas buscam mudanças de ambiente para renovar as energias perdidas, contato mais próximo com a natureza, sem ruídos e sem poluição, convivência com pessoas de estilo de vida diferente, além de um lugar autêntico e natural.
Esse contato com a natureza e com os animais se mostra, cada dia mais, importante para o ser humano. Segundo estudos psicológicos, depois de iniciada no mundo equestre, por exemplo, a criança apresenta várias alterações positivas, que variam desde o desenvolvimento da auto-estima até a maneira como encara as outras pessoas. Essas são apenas algumas das consequências da prática equestre, em que pontos relevantes como auto-estima são abordados de forma inconsciente. Uma vez que a criança está em um novo ambiente e domina um animal de grande porte, a atividade faz com que ela desenvolva esta auto-confiança de uma forma natural. Como a consciência se forma na infância, cabe aos adultos uma tarefa muito importante, a de ensinar, às crianças, o respeito e o amor pelos animais.
O Triângulo Mineiro se destaca por estar no centro do país e ser a melhor região com centros atacadistas, um pólo industrial bastante movimentado e também por ser uma referência no agronegócio brasileiro, englobando todas as áreas da agricultura e da pecuária.
O principal município do Triângulo, hoje, é Uberlândia. A cidade é a que registrou o maior crescimento populacional nos últimos anos, em Minas, de acordo com pesquisa do IBGE. Dados do último senso apontam que a cidade tem quase 700 mil habitantes, e de acordo com estudos, para os próximos anos a cidade deve atingir um milhão de habitantes. Várias áreas estão em crescimento, os mercados imobiliário e da construção, por exemplo, vêm batendo recordes em cima de recordes. Com toda essa movimentação financeira, empresas crescendo e o aumento da população, a informalidade assombra as pessoas. Vizinhos não se conhecem mais, crianças passam mais tempo em frente ao computador, ou jogando no vídeo game, do que deveriam.
Nesse contexto, o turismo rural se apresenta como uma ótima forma de educação para as crianças e os adolescentes, pois ele é composto por um conjunto de bens e serviços, atrativos naturais e culturais, infraestrutura turística adequada para atender esse novo público que surge.
Lazer e educação
As atividades que envolvem animais têm se mostrado de grande valia para a educação das crianças e o cavalo se torna uma das melhores opções, pois as crianças, além de manter o contato com os animais, conseguem ter mais proximidade com o campo. Advogada na área cível e empresarial, Keila Miguel e o marido, Arthur Florentino, enxergaram esse mercado e há seis meses montaram o Haras Bela Vista, em Uberlândia. “Nunca acreditei em sociedades, o Arthur tinha outros sócios, mas decidimos montar o haras juntos, só nós dois. Arrendamos a área e as idéias começaram a surgir, construímos a pista, um redondel, uma área para as crianças brincarem, um barzinho, enfim, construímos tudo pensando, primeiro, na nossa família e em nossos amigos, queríamos um lugar para descansar e nos reunir”, explica Keila.
Os empreendedores perceberam como o cavalo ajuda na formação de crianças e adolescentes, mas quando a criança demonstra interesse por esportes equestres, muitos pais sentem-se preocupados, acreditam que o simples convívio com o cavalo é uma prática perigosa. O que, segundo o casal, é uma preocupação sem fundamento, “Perigo existe em qualquer modalidade de esporte, e o cavalo é também um esporte. Mas, no haras, a intenção é que a criança não venha sozinha, queremos que a família junto, temos espaço para todos. O que queremos é um ambiente familiar, para agradar a todos”, explica Arthur, que ainda completa: “Defendo tanto o cavalo, que acredito que ele conserta até casamento”.
Ao contrário do que se imagina, a relação entre homem e cavalo começa muito antes da iniciação da montaria. É possível começar o convívio das crianças com esses animais desde cedo, a partir de dois ou três anos de idade, por intermédio do simples contato no dia a dia, permitindo que elas toquem e observem os cavalos. Isso faz com que elas desenvolvam o senso perceptivo.
Criado em orfanato até aos 10 anos de idade, Nilton Braga Domingues, o Trigrinho, como é conhecido, encontrou no cavalo uma ótima opção de vida. Desde pequeno, fugia do orfanato para observar cavalos, na rua e em quintais das casas. Quando foi adotado, seu pai lhe mostrou o fascinante mundo dos cavalos. Com apenas 12 anos, ele já corria em provas equestres e, segundo ele, o cavalo evitou que muitas coisas ruins acontecessem em sua vida, “O cavalo educa as pessoas. Se você tem um filho e ele está indo para um lado errado e só levar ele para o convívio com o cavalo. Nesse meio não tem maldade, são só pessoas amigas, uma verdadeira família”, declara o esportista.
A paixão pelo animal é tamanha que nem o dedo perdido em uma prova de laço o fez desistir do esporte, “Quando estou nervoso e entro na baia de um cavalo, já fico mais tranquilo e quando eu monto nele é um prazer inigualável. Dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem, mas se você tem um Pit Bull em casa, por exemplo, você nunca vai deixar uma criança passar a mão na cabeça dele, mas se você tem um cavalo, isso é diferente. Para mim, o melhor amigo do homem é o cavalo”, finaliza.
João Paulo Barros tem 18 anos e há seis anos não consegue mais deixar os cavalos. Hoje, ele tem dois cavalos que ficam no haras. Segundo ele, a paixão pelos animais começou graças ao irmão, que nunca correu, mas o incentivou a entrar nesse meio, “Meu irmão me incentivou muito. E depois que comecei a andar a cavalo, meu comportamento mudou bastante. Eu ficava muito na rua, com algumas companhias que minha mãe não gostava. Quando comecei a correr no cavalo, isso acabou, porque agora ela sempre sabe onde estou e fica muito mais tranquila”, explica.
Além de todo o conforto e descanso que o haras proporciona, atividades é o que não faltam para deixar o local ainda mais movimentado. Os proprietários organizam também algumas provas equestres, “A primeira prova que realizamos foi a do Team Pennig, na inauguração do Haras. Recebemos, em média, 400 pessoas, tanto visitantes quanto competidores, foram em média 40 cavalos. Vieram pessoas de várias cidades, Iturama, Limeira do Oeste, Patrocínio, Batatais etc.”, anuncia. Segundo Keila, a intenção é sempre realizar provas e começar com aulas de equitação.
Considerada a prova da família, o Team Penning é uma modalidade em que participam competidores das mais diversas faixas etárias, inclusive, num mesmo trio, podendo reunir três gerações de uma só família. De fácil entendimento, a prova sempre conta com grande torcida para o rápido fechamento das reses no curral em pista e, por não exigir um grande treinamento dos participantes, é uma competição que muitos iniciantes gostam de praticar.
O time deve isolar (separar) três cabeças de gado, especificamente identificadas do rebanho, e então colocá-las em um curral do lado oposto da arena em 90 segundos (atualmente, 120 segundos) de tempo limite. O tempo começa a ser contado, quando o focinho do primeiro cavalo cruza a linha de partida e termina quando o gado estiver dentro do curral. Os cavaleiros devem separar o gado designado a eles, tomando cuidado para não deixar que mais de 4 reses cruzem a linha de partida, causando a desclassificação. Todo o gado, exceto aqueles que estão sendo encurralados, deve ser mantido do outro lado da linha, que está o resto do gado, quando o tempo for pedido, senão o time será desclassificado.
Engana-se quem pensa que é preciso ter uma propriedade rural e vários funcionários para ter um cavalo, ou até mesmo competir em provas. Muitos, hoje em dia, fazem seus investimentos em animais e levam para um haras, este fica responsável pelos cuidados e manejo adequado, além de se tornarem ótimas opções de lazer. É o caso de Alan Álvaro Armaneli, que trabalhou muitos anos como representante comercial e, atualmente, como empresário, acredita que o cavalo só traz melhorias para a vida de uma pessoa: “Sempre fui muito estressado, viajo muito e o cavalo entrou na minha vida no momento em que eu precisava. Porque eu já tinha uma vida mais estabilizada e condições de manter meus filhos junto dos animais”. Ainda, segundo ele, o cavalo tem muito mais a nos oferecer do que nós a ele, “É uma docilidade, um companheirismo para o ser humano, que é muito importante. Meus filhos viveram sempre em apartamento, com internet, andando com amizades que não traziam muito benefício para eles e quando eles começaram a conviver com os cavalos eu entendi que era uma vida muito mais saudável. O meio do cavalo é uma grande família”.
Com o corre-corre do dia, Alan optou por deixar o cavalo no haras, pela praticidade do cuidado com os animais e pela ótima oportunidade de lazer para a família, “O haras é uma opção muito gostosa para se conhecer mais os cavalos. É um ambiente agradável, tranquilo, onde as crianças têm mais contato com todo o meio rural. Quando meus filhos estão aqui fico tranquilo”.
Seu filho, Alan Álvaro Armaneli Filho tem, hoje, 17 anos e há 4 anos se dedica a provas de team penning e tambor, que, segundo ele, são sua especialidade. A prova de tambor consiste em contornar 3 tambores distribuídos em forma triangular, no menor tempo possível. A contagem do tempo começa quando o focinho do cavalo cruza a linha de partida. O primeiro tambor deve ser contornado da esquerda para a direita e os outros dois, da direita para a esquerda. A média de tempo da prova dos tambores é de 18 segundos, tanto para homens quanto para mulheres.
Caso o competidor derrube o tambor, ele é penalizado em cinco segundos que são acrescidos no tempo final. Erro de percurso, se o competidor cair do animal ou se chegar com qualquer parte do corpo para fora do animal, são considerados casos de desclassificação, “Minha paixão são as provas de velocidade. Adoro sentir aquela adrenalina e emoção que, só quando estou em prova, consigo sentir”, explica o garoto. Com alguns títulos conquistados, Alan já participou de vários cursos de tambor, rédea, team peanning, “Acredito que todo o meu treinamento e esforço tornaram-me no que eu sou hoje. Sou muito tranquilo, não fico nervoso na hora das provas, porque sei o quanto fui disciplinado nos meus treinos, isso me dá bastante confiança”, finaliza.
Mas não é só o filho de Alan que está no esporte, a filha também segue os passos do irmão. Adriele Isabele tem 15 anos e há três corre tambor. Quando decidiu competir, na primeira prova ela caiu do cavalo, mas foi apenas um erro de percurso, nada que abalasse a vontade de correr, “A primeira vez que corri fiquei muito nervosa e cai. Mas o meu impulso foi logo de levantar e começar de novo. Treinar mais. Ainda não conquistei nenhum título, mas a pressão, o friozinho na barriga é muito bom”.
Segundo ela a convivência em família melhorou muito depois do cavalo, “Depois que iniciamos o nosso convívio com o cavalo a nossa convivência em família ficou bem melhor. Um apoia o outro e sempre estamos todos juntos nas provas, isso é muito bom. Eu vejo mudança também no meu comportamento, estou muito mais calma”. Adriele não se contenta apenas na corrida, ela adora cuidar, pessoalmente, de seus animais, “Nossos cavalos ficam no haras e faço questão de vir sempre para cá, ajudar no manejo dos animais”.
Além das provas, existem outras atividades equestres que beneficiam especialmente crianças excepcionais. Nesse caso, o cavalo é utilizado para fins terapêuticos, na modalidade de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial do indivíduo. Esse método é chamado de equoterapia, que é quando o cavalo envia informações sensoriais ao praticante que, por sua vez, busca respostas adaptativas apropriadas a esses estímulos. O objetivo não é ensinar técnicas de equitação específica, mas, sim, estabelecer melhores funções neurológicas e melhor processamento sensorial. A utilização do cavalo, como instrumento terapêutico, nos proporciona um movimento que é tridimensional, variável, rítmico e repetitivo. A variedade de movimentos disponíveis pelo cavalo favorece ao terapeuta a graduar a quantidade de informações sensoriais a serem enviadas ao praticante, associadamente a outras técnicas terapêuticas para chegar a um objetivo comum.
As crianças excepcionais respondem a essa dinâmica em tempos diferentes e cada caso é analisado separadamente. E segundo Keila é um dos próximos passos do haras, “É um sonho nosso, ajudar crianças que precisam de cuidados especiais, agora já temos a estrutura montada, assim que der, vamos iniciar com a equoterapia”, finaliza.

 Últimos comentários:  Fabiana Cardoso Marques | 17/05/2010 16:38
Boa tarde em primeiro lugar parabenizá-los pela matéria publicada. E aproveitando gostaria de dizer que estou muito feliz em saber que no Haras Bela Vista, tenha três tambores pois tenho muito interesse em praticar esse esporte, e agora em Julho estou mudando para Uberlândia e gostaria muito de aprender esse esporte, pois sou apaixonada por cavalos e pela prova.Desde já muito obrigado....
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