Entre os dias 22 e 25 de março, Belo Horizonte será a capital pan-americana do leite. Durante esse período, será realizado o 11º Congresso Pan-Americano do Leite, o maior evento lácteo da América Latina, que vai acontecer no Minascentro e deve atrair cerca de 2,5 mil pessoas, superando as edições anteriores.
“O evento pretende promover as relações interpessoais e fortalecer os vínculos de amizade e cooperação entre a comunidade técnica e empresarial, além de criar um espaço para reflexão, discussão e intercâmbio de conhecimentos e experiências pan-americanas e mundiais relacionadas com o setor leiteiro” enfatiza Vicente Nogueira, presidente da FEPALE.
Em 2008, o Brasil foi o quinto maior exportador de leite do mundo, e Minas Gerais, atualmente, é responsável pela produção de 28% do leite brasileiro. “O Congresso tem importância ainda mais acentuada em virtude das fortes transformações ocorridas na pecuária leiteira no mundo, nos últimos dois anos. Foram duas situações atípicas, antagônicas e significativas: o aumento do preço do leite no mercado internacional, em função da elevação da demanda, que esvaziou os estoques de lácteos e, logo a seguir, a queda nos preços, que desestimulou a produção em várias regiões, em função da crise mundial, originada nos Estados Unidos”, explica Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e coordenador do evento.
Em sua 11ª edição, o Congresso Pan-Americano do Leite retorna ao Brasil para discutir quatro áreas temáticas: 1) Produção Primária; 2) Industrialização de Produtos Lácteos; 3) Economia e Mercado do Leite e seus derivados e 4) Consumo (Mais Leite = Mais Saúde).
O megaevento do mercado leiteiro vai contar com a presença de compradores internacionais, exportadores, pesquisadores e técnicos, produtores, profissionais do setor leiteiro, comerciantes, cooperativas, entre outros. São esperadas 2,5 mil pessoas, sendo 600 estrangeiros de, aproximadamente, 40 países, que buscam entender melhor o mercado lácteo mundial.
O Congresso, que é realizado a cada dois anos, é uma realização da Federação Pan-Americana do Leite (FEPALE),
em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG). Em sua última edição, no ano de 2008, o congresso aconteceu em San Rosé (Costa Rica). Porto Alegre (Brasil), Miami (EUA) e Havana (Cuba) também sediaram o evento nos últimos anos.
A alta do preço do leite nos últimos anos (2007/2008) trouxe um momento atípico, uma vez que não se tinha visto, no mercado, preços acima de 5 mil dólares a tonelada de leite em pó e, consequentemente, preços também altos pagos ao produtor de leite por todo o mundo. Entretanto, a crise de 2009 fez com que os países em desenvolvimento, grandes importadores, saíssem do mercado por questões de custos de importações e de falta de crédito, conseqüência da crise. “Isso fez com que os preços despencassem no mercado, afetando, inclusive, o produtor. Mas, passada a crise, já em setembro de 2009, os preços voltam a subir, os países em desenvolvimento retomaram as compras e o mercado voltou a se aquecer. Com isso, houve um ganho na produção leiteira, porque, à medida que voltam a exportar, a indústria têm condições de pagar melhor os produtores”, explica o presidente da Federação de Agricultura do Estado de Minas Gerais, Roberto Simões.
Entre os objetivos do Congresso, um dos principais, segundo Rodrigo Alvim, é o conhecimento, grande investimento do século. “Para isso, vamos apresentar as novas tecnologias de produção e debater questões mundiais que afetam o bolso do produtor. No mundo globalizado de hoje o mercado fica bastante vulnerável, por isso, queremos apresentar oportunidades de entender melhor essa realidade. É uma ocasião ímpar para conhecer novas pessoas, agregar conhecimento e até mesmo fazer novos negócios”, afirma Rodrigo, que completa: “o produtor ainda é muito desorganizado da porteira pra fora. Ele tem que entender que não adianta produzir o leite de melhor qualidade se ele não entende como comercializar esse produto depois. Na cabeça do produtor, da porteira pra fora não é responsabilidade dele. E é isso que queremos mudar”.
Meio ambiente, genética, nutrição, novas tecnologias, análise de mercado, desenvolvimento de produtos, além dos benefícios do leite para a saúde humana também estão entre os assuntos que serão discutidos.
Visitas técnicas
Vários eventos acontecem dentro do 11° Congresso Pan-Americano do Leite, dentre eles estão agendadas algumas visitas técnicas em fazendas que são modelo na produção de leite.
A visita na Fazenda São João, por exemplo, tem o objetivo de apresentar aos congressistas o sistema de produção da propriedade, que é feito em grande escala, com todo um planejamento de produção de alimentos, buscando sustentabilidade na agricultura. Localizada no município de Inhaúma, a 100 km de Belo Horizonte, a Fazenda São João tem seis setores distintos: Agricultura, Administração, Manutenção, Maternidade, Plataforma e Recria. Em 2008, foi a terceira maior produtora de leite do país, produzindo, no ano, 14.201.422 litros
de leite, com uma média diária de 38.908 litros. A produção de leite é em sistema de confinamento em freestall.
Outra visita agendada será na Fazenda Santa Maria do Brejo Alegre, localizada no município de Itaúna. A propriedade tem um projeto de produção intensiva de leite a pasto, utilizando vacas ¾ a 31/32 holandês/zebu (H/Z). Sua área útil é de 60 ha, sendo 45 ha de tifton irrigado e 15 ha de cana-de-açúcar irrigada. No ano de 2009, a propriedade atingiu a produção total de 1.860.000 de litros de leite, o que corresponde a 31.000 litros de leite/ha/ano, incluindo a área destinada a recria de 100% das fêmeas nascidas. Durante o verão, a pastagem fica, em média, com 15 UA/ha, variando de 10 a 20. A fazenda tem uma produção intensiva de leite em uma propriedade de médio porte, com alta produção de leite a pasto e com animais adaptados à condição tropical. É utilizada também a cana-de-açúcar como única forragem para suplementação na seca.
A Fazenda Gurita, situada em Bom Despacho, a 180 km de Belo Horizonte também está no roteiro. Atualmente, está com 160 vacas em lactação, produzindo 3.000 litros/dia, em que utiliza pasto como forragem principal no verão e cana-de-açúcar, no inverno. Para viabilizar o projeto, a fazenda adota a estratégia de venda de toda recria excedente no desmame. A propriedade realiza gestão por resultados, com avaliações mensais de receitas, despesas, custos e indicadores zootécnicos. Nesta metodologia, as decisões técnicas são norteadas e priorizadas de acordo com os objetivos financeiros.
E, por último, a Fazenda Santa Helena, que atende projetos pecuários que necessitam de feno durante todo o ano e com elevado padrão de qualidade. Localizada em Bom Despacho, sua área é de 450 hectares de tifton 85, sendo 200 irrigados por pivô central, produzindo 9.000 toneladas/ano. A propriedade é a segunda maior produtora de feno no Brasil. A cada dia, ela vem buscando cumprir a sua missão, que é produzir feno de alta qualidade de forma sustentável, garantindo a satisfação de seus clientes.
"UM OLHAR SOBRE O SETOR LÁCTEO"
Em sua primeira edição, o Concurso de Fotografia "Um Olhar Sobre o Setor Lácteo", pretende divulgar imagens da cadeia produtiva leiteira e as atividades do setor, demonstrando os benefícios do leite e seus derivados, para a economia, a sociedade e a saúde humana. A temática está vinculada à produção primária do leite, industrialização de produtos lácteos, pesquisa, comercialização, consumo de leite e saúde humana. Os participantes preencheram o formulário de dados no site do Congresso e fizeram sua inscrição gratuitamente. O júri irá eleger 15 fotografias finalistas, levando em consideração sua qualidade técnica e artística. As obras serão publicadas no site e serão expostas durante o Congresso.
Apresentação de Projetos Técnico/Científicos
O Comitê Organizador do 11º Congresso Pan-Americano do Leite abriu a oportunidade para que pesquisadores, profissionais, empresários envolvidos no setor de leiteiro, apresentem trabalhos de pesquisa e divulgação, com o objetivo de publicar suas experiências no Congresso.
Os trabalhos científicos deverão tratar sobre os seguintes eixos temáticos: Produção Primária, Industrialização de Produtos Lácteos, Economia e Mercado do Leite e seus derivados ou Mais Leite = Mais Saúde. As inscrições dos projetos foram feitas por intermédio do site do evento, e cada autor pode apresentar até um máximo de três trabalhos científicos.
Todos os trabalhos aprovados pelo Comitê Técnico/Científico serão exibidos no espaço reservado para as sessões de pôster, em horários a serem estabelecidos.