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Pastagem


Implantação de um sistema de irrigação de pastagem

Vinícius Oliveira Rezende , Eusímio Felisbino Fraga Júnior , André Luís Teixeira Fernandes 


 O Brasil possui um grande potencial para produzir leite a pasto. Sua dimensão territorial e natureza climática permitem a produção elevada de biomassa. Os custos de produção de leite baseado em pastagem são os mais baixos e de maior competitividade em nível mundial (ASSIS, 1997; BROOKES, 1996).
 Segundo Aguiar e Almeida (2003), quando comparados os custos de matéria seca dos volumosos utilizados comumente em uma fazenda leiteira, observa-se que o alimento mais barato que se pode oferecer ao rebanho leiteiro é a pastagem manejada intensivamente, que implica um custo 5,2 vezes menor em relação ao feno de gramíneas; 3,77 vezes menor que a silagem de milho; 3,55 vezes menos que a silagem de sorgo e a de girassol; 2,20 vezes menor do que o Capim Elefante; e 2,00 vezes menor comparado com a cana com ureia.
 O único dos fatores climáticos responsáveis pela estacionalidade da produção forrageira em que o homem tem capacidade de interferir é o déficit hídrico, que pode ser eliminado por meio de irrigação. A escolha da forrageira ideal deve ser realizada com o acompanhamento da temperatura em cada região (ROLIN, 1980).
 Os objetivos da irrigação de pastagem são: eliminar a necessidade de suplementação volumosa na seca; equilibrar a produção da pastagem entre as estações de verão e inverno; alcançar alto desempenho animal sem usar concentrados; reduzir gastos com suplementação concentrada e volumosa; intensificar a produção animal por área, para obter maiores lucros e retorno na atividade; produzir a “carne ecológica” e o “leite biológico” (TEODORO, 2002).
 Rolin (1994) cita que, em trabalhos realizados entre 1966 e 1978, pesquisadores obtiveram aumento de produção de forragem, que variou entre 20 e 70% nas áreas irrigadas, durante um período de 150 dias, nas estações de outono-inverno da região do Brasil Central.
 Segundo Chistofidis (2008), uma fazenda de media produção de carne no Brasil tem uma lotação de 1 UA/ha e produz por 4,3 @/ha/ano, enquanto uma pastagem com irrigação comercial possui uma lotação de 6,3 UA/ha, produzindo 55 @/ha/ano.
 A irrigação de pastagem é uma técnica que não é adequada para qualquer local ou situação. A sua adoção exige uma série de requerimentos básicos que, se não forem observados, certamente, tornarão a atividade inviável economicamente. (VILLELA, 1999). Vários sistemas podem ser utilizados para a irrigação de espécies forrageiras, por exemplo: aspersão convencional, pivô central, canhões autopropelidos etc. Dentre eles, destaca-se o sistema de irrigação por aspersão em malha.
 O sistema de aspersão em malha foi recentemente adaptado pelas Universidades de Uberaba com boa aceitação pelos produtores, principalmente, os pequenos. Neste sistema, as linhas laterais, de derivação e principal são enterradas, necessitando apenas da mudança dos aspersores. Com isso, a mão de obra é sensivelmente reduzida em comparação com o sistema de aspersão convencional. A tecnologia tem alta uniformidade de aplicação da água, viabiliza a fertirrigação, economiza água, energia e mão de obra. Além disso, reduz de 20 a 40% o custo de equipamento, tornando-se mais acessível aos pequenos produtores, permitindo o aumento da produtividade, o que pode se refletir, substancialmente, na renda da família (EMBRAPA, 2009).
 O sistema de irrigação por aspersão em malha possui as seguintes características positivas: adaptação a qualquer tipo de terreno; baixo consumo de energia; utilização de tubos de PVC de baixo diâmetro interligados em malha; possibilidade de fertirrigação; facilidade de operação e manutenção; baixo custo de instalação e manutenção; possibilidade da divisão da área em varias subáreas com cercas fixas (DRUMOND; AGUIAR, 2005).
 Rezende (2009), em seu trabalho de conclusão de curso, construiu um protótipo experimental na FAZU, de um sistema de irrigação por aspersão em malha, e provou cientificamente que, ao aumentar o número de redes de derivação de um sistema de irrigação por aspersão em malha, é possível irrigar piquetes inteiros.
 As fases de planejamento e dimensionamento do projeto são os momentos mais adequados para se diagnosticar e realizar os ajustes necessários para minimizar os possíveis impactos ambientais resultantes da irrigação, de modo que os possíveis efeitos adversos da irrigação sejam minimizados (BERNARDO, 1997).
 O sucesso da irrigação está diretamente relacionado à rentabilidade, sendo que um projeto mal dimensionado pode ocasionar perdas financeiras irreversíveis. Atualmente, vários meios de irrigação estão sendo instalados sem os devidos cuidados. Antes de iniciar um projeto de irrigação, é necessário identificar e analisar a viabilidade desse projeto. É fundamental estimar o volume exato de água para a obtenção de ótimas produtividades. O sistema escolhido terá que atender às necessidades hídricas da cultura implantada nas piores situações (REZENDE; FERNANDES, 2008).
 Para um correto dimensionamento, é importante obter a curva característica ou curva de retenção de água no solo, que é, geralmente, determinada em laboratório e de preferência a partir de amostras indeformadas. Ela representa uma propriedade ou característica físico-hídrica do solo que relaciona o conteúdo volumétrico de água e o potencial matricial do solo. Varia de acordo com a classe textural do solo, o conteúdo de matéria orgânica, grau de compactação, classe de solo, geometria dos poros e outras propriedades físicas do solo (EMBRAPA, 2002).
 Para a realização de um bom projeto, deve-se fazer um levantamento planialtimético do local onde será implantado o projeto, com escala compatível com o tamanho da área e curvas de nível equidistantemente espaçadas. Este levantamento deve ser bem detalhado, localizando-se a fonte da água, suas cotas, energia elétrica e outros detalhes que possam interferir na seleção do “layout” do sistema. Todo o planejamento deve ser realizado com base nesses dados, escolhendo-se a forma mais racional de utilizar o equipamento, principalmente no que se refere à economia de água e energia elétrica (DRUMOND; FERNANDES, 2001).
 Deve-se tomar cuidado com levantamentos rápidos, feitos com GPS´s de mão, que podem levar a erros grosseiros no projeto, comprometendo o sistema de irrigação.
 De posse desses dados, o projetista inicia os cálculos, dimensionando-os com a máxima eficiência. O melhor e o mais preciso aparelho para o levantamento planialeimétrico é a Estação Total, que é capaz de levantar todos os dados com rapidez, possibilitando definir os parâmetros de altura manométrica, distribuição das tubulações e pontos de aspersores. A locação do projeto no campo de irrigação também é feita com esse aparelho (REZENDE, 2009).

Referências
AGUIAR, A. P. A.; ALMEIDA, B.H.P.J.F. Gestão de produção de leite de carne a pasto. 2003. p. 55-57. Apostila apresentada no modulo 2, do Curso de Pós Graduação em Manejo da Pastagem. Uberaba: FAZU, 2003.

ASSIS, A. G. Produção de leite a pasta no Brasil. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE PRODUÇÃO ANIMAL EM PASTEJA, 1997. Viçosa: UFV, 1997, p. 381-409.

BERNARDO, S. Impacto ambiental da irrigação no Brasil. In: SILVA, D. D. da; PRUSKI, F. F. (ed.). Recursos hídricos e desenvolvimento sustentável da agricultura. Viçosa: MMA, SRH, ABEAS, UFV, 1997. 34; 252p.

CHRISTOFIDIS, Demetrios. “O futuro da irrigação e a gestão das águas”. MISIH- DDH. Nov. 2008,15p., Brasília.

DRUMOND, L. C. D.; AGUIAR, A. P. A. Irrigação de pastagem. Uberaba (MG): L.C.D. Drumond, 2005, v. 01. 210p.

EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária: Irrigação por aspersão em malha. Disponível em: <http://www.sct.embrapa.br/novosite/linhas_acao/ alimentos/cafe/aspersao.>. Acesso em: 14 abr. 2009.

REZENDE, V. O.; FERNANDES, A. L. T. Levantamentos de dados fundamentais para implantação de um sistema de irrigação. VII JORNADA CIENTÍFICA DA FAZU 2008. Disponível em: <http://www.fazu.br/hd2/jornada2008/ pdf/agronomia.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2009.

REZENDE, Vinicius de Oliveira. Dimensionamento e implantação do sistema de irrigação por aspersão em malha no Tifton 85 por piquetes. 2009. 57 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação). Curso de Agronomia, FAZU - Faculdades Associadas de Uberaba, Uberaba, 2009.

ROLIM, F. A. Estacionalidade de produção de forrageiras. In: PEIXOTO, A. M.; MOURA, J. C.; FARIA, V. P. (Ed.). Pastagens: fundamentos da exploração racional. Piracicaba: FEALQ, 1994. p.533-66.

TEODORO, R. E. F. Pastejo irrigado e pivô central. In: SIMPÓSIO GOIANO SOBRE MANEJO E NUTRIÇÃO DE BOVINOS DE CORTE, 4., 2002, Goiânia. Anais do XII Simpósio Goiano sobre Manejo e Nutrição de Bovinos de Corte. Goiânia: Colégio Brasileiro de Nutrição Animal, 2002. p. 147-158.

VILLELA, G. Pastagem irrigada. Revista Panorama Rural. São Paulo, n. 4, p.20-26, jun. 1999.

 





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Últimos comentários:
Jose Barbosa - Estancia JB | 24/09/2013 12:48

Amigo o sistema é maravilhoso a solução, para pecuária leiteira. Porem as dificuldades do pequeno produtor é a falta de recursos financeiros, ou seja de onde tirar o recurso! da propriedade não ha recurso com baixa produção, financiamento de banco não consegue por falta de garantia de pagamento, projetos de governo só propagandas, mas nada de realidade, oque fazer? Se tem tem uma resposta concreta me ajuda ai por favor Att. Jose Barbosa

Isabel C Araujo Souza - Sitio Pai Eterno | 10/09/2013 12:45

Gostaria de indicaçao aqui no Municipio de Luziania quem faz esse tipo de irrigação. Quero fazer 15 piquete e para tanto preciso fazer a irrigação primeiramente, acredito.

Jailson Pereira Nascimento | 17/02/2013 22:01

Muito bom, é importante que sempre haja materias sobre o assunto e com a qualidade desta. Só ressaltando que: o maior problema da é a seca, consequentemente a falta d´agua.O que não viabiliza o projeto de irrigação, portanto é interessante um meio de se extrair a água do solo no caso da falta. Como fazer?

Bento Morais - Sagrado Coração de Jesus | 08/02/2013 18:19

Estou montando um projeto de 05 ha

Lazaro carvalho de oliveira - Universidade federal de Pelotas | 24/01/2013 20:41

Muito boa matéria, porém poderia trazer exemplos de sistemas com alguns detalhes e fotos.

jorge - Chacará DUPLO A | 15/11/2012 20:24

ai vai uma materia de incentivo........kkkkk

Janaína Somensi - Torre Forte Engenharia | 30/01/2012 11:37

Matéria muito bem feita!

celmo alves rodrigues - fazenda sao sebastiao | 20/11/2011 19:13

materia muito boa isso vai icentivar bastante produtores do brasil!

celmo alves rodrigues - fazenda sao sebastiao | 20/11/2011 18:07

bastante interesante pretendo fazer!

sumara silva dutra - fazenda bom jardim-silvania | 10/11/2011 14:17

muito bom o seu trabalho!me ajudou a fazer o meu projeto de conclusão de curso. me ajudou muito!

flavio eduardo buainain | 06/11/2011 22:20

Caro Vinicius,muito boa sua materia.Gostaria de formar 2 ha de capim e irrigalo ja que tenho muita agua na propiedade.Estou querendo formar para criacao de gado leiteiro a campo. Gostaria de possivel,saber qual o melhor capim para esta atividade, minha propiedade fica 5 km de campo grande ms, local tem bastante chuvas regulares e o solo e misto arenoso com ph 5.5, tem muita deficiencia de fosforo e potassio. aA area ja foi calcariada.Depois de formada tem alguma recomendacao para manutencao da boa qualidade do capim.Se puder me ajudar obrigado. flavio buainain

SEBASTIÃO NETO SIQUEIRA - ESTANCIA CECILIA | 03/08/2011 14:26

MUITO BOM , ESTOU QUERENDO IMPLANTAR O SISTEMA DE PASTAGEM IRRIGADA , MAS AINDA TENHO ALGUMAS DIFICULDADES QUANTO A GRAMINEA A SER IRRIGADA , TENHO NA PROPRIEDADE 5 HECTARES DE MASSAI E TENHO OUTRS PIQUETES DE BRAQUIARA , QUAL GRAMINEA IRRIGAR? ATENCIOSAMENTE SEBASTIÃO NETO SIQUEIRA

VINICIUS DE OLIVEIRE REZENDE - ORCOL OLIVEIRE REZENDE CONSTRUÇÕES LTDA | 03/08/2011 10:39

Para entrar em contato com os autores dessa matéria mande e-mail para viniciusfazu@ymail.com ou eusimio@hotmail.com

sergio ricardo costa pereira - sergios | 02/07/2011 01:07

amigo, tenho 20 ha de terra suja, gostaria de implantar sistema de irrigaçâo de pasto, que tipo de gado de corte ou leite ? qual melhor opçâo de capim ?que tipo de bomba usar em rio ?gostaria de todas dicas possìvel para um bom projeto fico muito grato , sergio,(almenara ) vale do jequitinhonha.

sidnei - chacara em piracanjuba | 09/05/2011 12:44

desejo irrigar pasto regiao de piracanjuba, sistema aspersão e malha, se poder mandar alguma informação a respeito do custo por ha. desde jjá agradeço . Sidnei

Euclides Alves de Oliveira Souza - Chácara Guapeva - Gado de Leite | 03/01/2011 09:45

Parabenizá-los pela brilhante matéria sobre Sistema de Irrigação de Pastagem. Moro tenho propriedade leiteira em Eldorado do Carajás-Pará. Aqui na região norte alguns produtores estão optando por sub-divisão de piquetes com pastejo rotacionado, utilizando um ou dois fios de arame, más, sem irrigação, utilizando apenas a complementação com cana mais uréia no período da estiagem que varia entre os meses de julho a outubro.

welliton - chacara pantanal | 09/11/2010 14:32

estou no segundo modulo de agricultura e pecuarea est é um proje bem elaborado visando almentar a renda em pouca terra muito bom

Antônio Elias Silva - Beija-Flor | 03/05/2010 20:26

Prezado (a), Pretendo implantar um sistema para irrigar 20 ha de pasto (capim tifton 85). O terreno é muito regular e não precisaria mais do que 20 metros de desnível em relação ao córrego (apresenta vazão de 700 litros/segundo d' água no período mais seco e crítico do ano). Pretendo produzir leite exclusivamente a pasto usando tifton 85. A terra é uma transição entre cerrado e cultura (Ph em torno de 6), a altitude é cerca de 900 metros. Fica na região sudeste de GO. Qual o método mais eficiente de irrigação no meu caso? Quanto precisarei investir para implantar esse método por ha? Precisarei de energia trifásica ou pode ser monofásica? Se usar motor a diesel encarece muito? Qual o custo operacional anual total depois de implantado o sistema (energia, depreciação, reparos, mão-de-obra, etc)? Onde consigo um técnico com experiência para elabora um projeto bom? Qual a lotação de vacas adultas por ha? Qual a percentagem média de proteìna do capim resultante? Grato pela presteza, Antônio Elias


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