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Sanidade


Linfadenite Caseosa (Mal-do-Caroço) em 25 perguntas e respostas

A Linfadenite Caseosa (Mal-do-Caroço) é uma doença infecto-contagiosa crônica, que causa prejuízos econômicos imensos ao pecuarista, além de comprometer todo o rebanho, levando à observação de um rigoroso manejo de prevenção.
O Mal-do-Caroço é uma doença amplamente disseminada nos rebanhos de caprinos e ovinos do Brasil. Hoje, podemos classificar o Mal-do-Caroço como um dos principais fatores sanitários limitantes no desenvolvimento da caprino-ovinocultura brasileira. Os prejuízos econômicos causados pela Linfadenite são imensos e a profissionalização da caprino-ovinocultura inclui o controle dessa doença.
Os prejuízos causados pelo Mal-do-Caroço estão em todas as formas de exploração da caprino-ovinocultura, tais como:
Carne - a Linfadenite Caseosa causa condenação de carcaça;
Leite - a Linfadenite Caseosa causa queda na produção leiteira e até a perda do úbere;
Pele - a Linfadenite Caseosa provoca cicatriz que desvaloriza a pele.
Além de causar baixo desempenho geral do animal, como diminuição da produtividade (carne, lã...).
História - O pesquisador do laboratório Vencofarma, Arthur Hage, estuda e pesquisa, desde 1971, a fórmula que, hoje, previne os rebanhos ovino e caprino da Linfadenite Caseosa. Esse estudo teve a participação de outros pesquisadores, como Moacir Mora Costa, Orlando Ribeiro Manuel Pereira Filho e Sérgio Oliveira; e apoio de entidades, como a Embrapa Caprinos, BID e outras. Foi necessário o isolamento de uma cepa imunogênica e também o processo de atenuação do microorganismo, tudo isso, exigindo uma alta tecnologia e desenvolvimento.
A vacina passou por vários testes para aprovação no Ministério da Agricultura e entrou, há pouco tempo, no mercado. Atualmente, o laboratório Vencofarma tem outros testes em andamento e resultados dos já realizados, os quais demonstram 97% de eficácia da vacina. É uma histórica vitória!
De acordo com Arthur, não existe cura para o animal contaminado com o Mal-do-caroço, o qual sempre será portador da doença. Para evitar que o mal se alastre pelo rebanho, o ideal é descartar o ovino ou caprino infectado.
A vacina apenas previne a contaminação da Linfadenite Caseosa em animais sadios. O uso constante e correto, portanto, da vacina que garante alto nível de proteção, viabiliza a erradicação da doença. Com estratégia sanitária e vacinação sistemática pode-se até criar um programa de erradicação da doença no rebanho nacional.
A vacina recém-lançada no mercado, com o nome de “Linfovac”, é a única feita com bactérias vivas atenuadas, que confere imunidade celular. Recomenda-se que a primeira aplicação da vacina nos rebanhos ovinos e caprinos deve acontecer entre 3 e 5 meses de idade (1 dose) e a segunda dose, após 30 dias da primeira. Revacinar, anualmente, com dose única.

Perguntas & Respostas

É bom saber um pouco mais sobre a Linfadenite e como combater esse mal do seu rebanho.

1 - O que é a Linfadenite Caseosa dos caprinos e ovinos?
Também chamada de Mal-do-caroço, “tumor” ou, simplesmente, “Linfa”, a Linfadenite Caseosa é uma doença causada pela bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis, que pode sobreviver por meses, ou até anos, no meio ambiente.

2 - Quais são seus sintomas?
Os principais sintomas são “caroços” ou “tumores”, que são os linfonodos (gânglios linfáticos ou ínguas), do caprino ou ovino, acometidos pela bactéria. Os linfonodos funcionam como uma espécie de filtro, que retém as bactérias. A bactéria do Mal-do-Caroço aí retida multiplica-se e fica encapsulada em “caroços”. Pode também ocorrer caroços internos, nos pulmões e nas vísceras. Esses caroços evoluem e se rompem, liberando o conteúdo purulento1.

3 - Como saber se há um caroço interno?
Não é possível saber, com certeza, se há ou não um caroço interno. O processo de contaminação do cabrito ou do carneiro pode ser por três vias:
a) Pela pele, nas feridas superficiais ou mucosa2, causando caroços, os linfonodos, conhecidos por “tumor” ou “linfa”.
b) Pela respiração, através da inalação do material infectante3, indo a bactéria parar nos pulmões causando, neles, dezenas de caroços, a chamada “pseudo-tuberculose”.
c) Pela boca, por meio da ingestão de material infectante4, junto com os alimentos ou a água, causando caroços nas vísceras e nos órgãos internos, a chamada “visceral”.
Assim, se o animal apresenta tosses secas e outros sintomas de tuberculose (dificuldade respiratória etc.) pode ter a linfadenite pulmonar. Se o animal começa a emagrecer muito e não é devido à falta de comida, pode ser a linfadenite visceral. Em ambos os casos, o animal morre com a progressão da doença.

4 - Como evitar a contaminação do ambiente?
Fazer um controle dos animais com palpações freqüentes nos linfonodos para descobrir caroços, pode evitar a contaminação do ambiente, assim como acompanhar a evolução do caroço. Outras providências são: quando o caroço estiver maduro, desinfetar a região com álcool iodado a 10% e fazer a remoção cirúrgica; retirar toda a massa ou líquido e desinfetar com iodo a 10%.
Todo material contaminado e o que foi retirado do caroço devem ser queimados. Até os animais que morreram por Linfadenite devem ser incinerados.
Todo material cirúrgico deve ser desinfetado para reutilização.

5 - Como curar o Mal-do-Caroço?
Por se tratar de uma doença crônica, uma vez doente de linfadenite, o animal será sempre portador da bactéria. Ou é vacinado, antes de contrair o mal, ou não haverá jeito para ele.

6 - Quando o caroço está maduro para extração?
O caroço é duro no início. Depois, fica mole e os pêlos da área caem ou se soltam com facilidade quando puxados, este é o momento em que o caroço está maduro. Se não for extraído, logo ele se romperá sozinho, espalhando bilhões de bactérias.

7 - Injetar formol ou álcool no caroço, mata a bactéria?
O formol ou o álcool pode matar algumas bactérias que entrarem em contato com a substância, mas não resolve o problema. Além disso, o formol é uma substância cancerígena e precisa ser manipulada com muito cuidado. Para piorar, embora seja totalmente proibido, existem pessoas que comem a carne de animais com linfadenite, ingerindo elementos do formol que se espalharam na carne do animal. Por isso, o certo é remover o caroço maduro, cirurgicamente.

8 - Aplicar ou dar antibióticos ajuda?
A administração de antibióticos contra a doença não surte efeitos. Não ajuda porque a bactéria fica no caroço, que é uma cápsula isolada, e existe dificuldade na penetração do antibiótico. Desse modo, não adianta dar antibióticos. O animal não irá se curar por conta de antibiótico.

9 - A Linfadenite pega em gente?
A Linfadenite Caseosa pega em gente, sim. Por isso, ela é classificada como ZOONOSE. Sempre que manipular animais contaminados, principalmente na extração dos caroços maduros, ou na limpeza de caroço que vazou sozinho, deve-se tomar todas as precauções para evitar a contaminação. É preciso usar luvas de látex que, depois, devem ser incineradas junto com os demais materiais usados. A linfadenite pode contaminar também eqüídeos, suínos e bovinos, mas os sintomas são diferentes.

10 - Então qual é a solução para uma criação ovina ou caprina sã e saudável?
Para que o rebanho seja sadio são necessários: um bom manejo, uma boa alimentação, desverminação e eliminação de parasitas de forma freqüente. Também, fazer vacinação preventiva contra clostridioses e contra o Mal-do-Caroço é essencial.

11 - Qualquer vacina contra Linfadenite Caseosa serve?
Não é qualquer vacina que funciona contra este mal. A Corynebacterium pseudotuberculosis, bactéria responsável pelo Mal-do-Caroço, tem atividade intracelular, para proteger dessa bactéria a imunidade deve ser celular. Vacinas à base de toxóides e vacinas de bactérias mortas conferem imunidade humoral, dando muito baixa proteção ao rebanho. Recomendam-se, então, vacinas de bactérias vivas, atenuadas, que conferem imunidade celular e dão 97% de proteção ao rebanho.

12 - Devo vacinar animal que tem ou que teve caroço?
Uma vez que pegou a Linfadenite, o animal é portador crônico da bactéria e a vacina não adianta mais, não devendo, portanto, ser vacinado.

13 - E se vacinar caprino ou ovino que tem Linfadenite Caseosa, o que acontece?
Em primeiro lugar, vacinar animal contaminado é jogar dinheiro fora, porque ele não irá se curar. Em segundo lugar, essa agressão (o estresse da vacinação) pode fazer estourar caroços nos animais que já estavam contaminados, mas que ainda não estavam manifestando a doença.

14 - Então, como vou saber quais animais vacinar?
Como norma, deve-se vacinar cabritinhos e borregos de 3 a 5 meses de idade. Repetir 30 dias após, a vacinação. Revacinar, anualmente, com dose única. Em pouco tempo, com essa sistemática de vacinação e com o descarte dos animais portadores, o rebanho vai ficar livre da doença.

15 - E se eu quiser vacinar todos os animais?
Dependendo da região no Brasil, a contaminação de caprinos e ovinos por Linfadenite, pode chegar a 70% do rebanho. Rebanhos muito bem cuidados têm cerca de 7 a 18% de animais portadores de Linfadenite. Rebanhos da caatinga podem apresentar, em média, 40% de animais contaminados.
Assim, a decisão de vacinar todo o rebanho deve ser precedida de um exame de palpação bem rigoroso em todos os animais, e aqueles que tiverem linfonodos, mesmo pequeninos, devem ser apartados e não vacinados.
Animais que já tiveram ou estão apresentando caroço devem ser apartados e não vacinados. Os demais poderão tomar a vacina. Portanto, alguns portadores de Linfadenite, que não foram identificados no exame, poderão apresentar caroços, rapidamente. A vacina, por conseguinte, expõe o perigo e facilita o descarte de animais contaminados.

16 - Cabritos e carneiros mais fracos podem ser vacinados para que melhorem?
A vacina não é um produto que cura, não devendo, portanto, ser aplicada em animais que apresentem fraqueza. Ela só induz a imunidade e, para o animal ter garantia de imunidade precisa estar saudável.
Animais que não respondem à vacinação, são:
aqueles que receberam pouca comida e estão fracos e desnutridos;
aqueles doentes, ou que estão se recuperando de uma doença;
aqueles com alta carga parasitária.
Em qualquer um destes casos, os animais devem ser tratados para depois serem vacinados.

17 - Só uma dose da vacina contra a Linfadenite Caseosa resolve?
Todo animal deve receber uma dose de vacina inicil; depois de 30 dias, mais uma dose de reforço, senão não resolve. Só depois de 30 dias do reforço é que a imunidade estará sólida. Não deve se esquecer da revacinação anual. Para que isso aconteça o animal tem de estar forte e saudável.

18 - Falam que a imunidade vai pelo colostro da mãe para o borrego ou cabritinho. Então posso vacinar fêmeas prenhes?
As fêmeas prenhes não devem ser vacinas, porque esta vacina é feita com bactérias vivas atenuadas. Isto quer dizer que a bactéria está viva e não causa doença, mas pode prejudicar o feto.

19 - Quando posso vacinar o cabritinho ou o borrego?
Os filhotinhos estão prontos para criar imunidade já aos três meses. Portanto, os cabritinhos e borregos podem ser vacinados dos 3 aos 5 meses de idade.

20 - Posso vacinar os filhotes mais velhos?
Quanto mais velho o filhote, maior é o risco de contaminação, por isso não é bom deixar para vaciná-los quando tiverem maior idade.

21 - Qual a dose da vacina do Mal-do-Caroço para adultos e qual a dose para cabritinhos e borregos?
A dose para adultos e filhotes é a mesma: 1 ml em aplicação subcutânea na região escapular (paleta). A dose da vacina não varia com o peso, o sexo ou a idade do animal.

22 - Qual a validade da vacina?
A validade da vacina é de 12 meses após a data de fabricação. A vacina pode ser aplicada até o último dia do último mês da validade. Ela irá funcionar bem. Nunca se deve usar vacina vencida.

23 - A vacina vem em dois frascos, sendo um de pó e um de líquido diluente. Quanto tempo a vacina pode ser guardada após diluição?
Após reconstituir a vacina com o líquido diluente, ela deve ser usada imediatamente. É imprudente guardar as sobras.

24 - Posso guardar a vacina fora da geladeira uma vez que é em pó?
Toda e qualquer vacina deve ser mantida na geladeira em temperatura de 2oC a 8oC. Não devendo ser guardada no congelador, pois, apesar de ser em pó, o organismo está vivo e o congelamento mata a bactéria seca. Também não deve ser colocada na porta da geladeira, pois toda vez que se abre a porta há variação de temperatura.

25 - Como transportar a vacina?
Sempre transportar a vacina em caixa térmica de isopor, com gelo dentro. Se necessário, o gelo deve ser reposto de tempos em tempos.

Francisco Regis, gerente Técnico e de Marketing de biológicos para Ruminantes do Laboratório Vencofarma do Brasil Ltda.





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Últimos comentários:
fernando florencio de carvalho - Fazenda Paraiso- Jacaraú-Pb | 13/11/2013 15:56

O senhor pode informar qual a conduta diante de micoplasmose? A micoplasmina sob manipulação é um mito ou serve?

fernando florencio de carvalho - Fazenda Paraiso- Jacaraú-Pb | 13/11/2013 15:54

Sou médico e crio cabras e ovinos. Será que antibioticoterapia com quinolonas , gentamicina surgem efeito? Já usou-se? E ainda cefatrioxona humana ? OBG.

Junior - Fazenda Shalom | 08/09/2013 22:07

Olá, eu tenho um rebanho de 150 miunças e quero adquirir a vacina para este mes de setembro. Aonde eu posso encontra-la? Eu estou no interior do Ceará, na cidade de Jucás, próximo a cidade de Iguatú. Obrigado

Sibele Lina Morais - UFRRJ | 02/09/2013 09:29

muito completa a materia, me ajudou muito nos meus trabalhos academicos, abrigada bom dia....

Alexandre oliviera - oliveira | 25/02/2013 11:58

gostaria de saber, se posso come um carneiro que ja foi retirado o caroço, nao tem risco de contaminação para o humano depois de algums meses da tetirada grato Alexandre

tiago | 24/01/2013 12:41

a carne de carneiro que tem linfoadenite pode ser consumida?

Elias Campos Matos - Fazenda Juazeirinho - Lagoa Grande - PE | 13/11/2012 21:54

Bastante educativa,porem´não tenho encontrado a vacina no comercio, sempre informam que a mesma esta em falta. Como conseguir com a ceteza que vou adquirir?

Alexandre f olivieira - sitio oliveira | 08/09/2012 11:15

posso comer carne de caprino que tem lifoadenite? e se comer quais os riscos grato Alexandre

Jose Aecio Romão - Faz Genipapinho Acajutiba /Ba | 30/07/2012 12:18

onde posso comprar LINFOVAC na grande Salvador?

Carlos Alberto - Carpe Diem | 05/07/2012 16:15

OS Ovinos contaminados com a Linfadenite Caseosa apos o tratamento de retirada do Caroço e cicatrização podem ser abatidos para consumo humano??

Airton de Moura - Estância Rancho Alegre | 15/05/2012 13:02

Achei a matéria muito instrutiva, e me apareceu num momento muito importante, haja vista, que estou com uma ovelha com esse problema e preciso estar a par dos cuidados que devo tomar, visando a erradicação da doença no meu rebanho. UM ABRAÇO A TODOS.

Washington Cerqueira - Recanto do Licuri-Santanópolis/Bahia | 02/05/2012 18:05

Congratulo a todos pelas imformações educativas, pois, sou calouro em manejo com cabras, obrigado.

roberto rocha - rancho JR | 20/04/2012 12:46

como extraie os carosos dos animail acometidos

Fabiano Martins - Agropecuari Maracai | 16/03/2012 13:34

Quero saber se a carne pode ser consumida, antes da retirada do Mal-do-Caroço ou após a retirada? Att. Fabiano Martins

Cláudio Albuquerque - Campo Belo | 13/02/2012 13:00

1} To precisando localizar onde comprar a vacina pro mal do caroço, to com dificuldades. 2º Posso vacinar todo rebanho, e quando estourar os que ja estão contaminados, apartar, e sacrificar, ou fica arriscado?

luiz claudio | 03/01/2012 13:15

minha cabra ,penso,estar com mal do caroço.agora esta mole e sai secreção. faço a higiene mais perfeita possivel,gostaria de saber qual remedio posso usar para combater antibiotico ou antienflamatorio e qual seria o nome ?por favor é urgente mesmo estou com medo de perdela!!!!!

francisco Pereira dos Santos - fazenda | 10/11/2011 12:47

como comprar linforvac e preços das doses

Virgínio Carlos André - Sitio Sta. Luzia | 01/10/2011 00:06

Show de bola...

jurandir martins silva - faz.planalto | 19/06/2011 08:26

gostei;pois tinha algumas duvidas sobre o mal do caroço em especial nos caprinos,meus animais são criados na forma estenciva,fico muito agradecido pela matéria.

Hélio Monteiro - Chácara Irarcema | 16/06/2011 17:21

Sou criador de ovinos e a matéria é bastante esclarecedora.

Ester Matoso | 23/02/2011 12:20

Oi eu sou estudante de veterinária e gostaria de saber quando o nodulo ou caroço se rompe, este rompimento pode acontecer internamente ao corpo do animal, ou se ele se rompe só externamente ao corpo?

Janio Picanco - CIPO CORTADO | 25/10/2010 09:54

MUITO BOA A MATERIA.

jose ancelmo de araujo - lindhofo silva | 14/03/2010 14:46

gostei pois tirou minhas duvidas.agora estou preparado. se tever outras iformaçõe na áreia de caprino mande para mim.


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