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Criação de animais


Produtor deve escolher melhor sistema de criação

Maria Cândida Sampaio

Nas propriedades que integram Lavoura e Pecuária, existem três processos de criação de animais: a pasto, o loosing-house e o free-stall. Com a redução dos espaços para a colocação do gado, é necessária uma estratégia para acertar o sistema a ser adotado, a fim de que haja maior produtividade de maneira economicamente viável. A maior parte dos criadores ainda prefere criar seus rebanhos a pasto, porém as grandes fazendas já adotam as três opções de maneira satisfatória, como acontece na Fazenda Boa Fé, do Grupo Ma Shou Tao, que acaba de se tornar referência nacional do sistema free-stall.

Segundo o diretor da FAZU e especialista em estresse animal, Alexandre Bizinoto, não existe um sistema de produção que chegue a 100%. Os bovinos, quando são criados em ambientes muito restritos e de forma a ter uma densidade populacional na área, verificam-se questões que se manifestam uma em decorrência do outra. Em primeiro lugar, aumenta o nível de estresse, que vai interferir na resistência aos microorganismos, facilitando a instauração de doenças. Para resolver isso, a solução seria amenizar o problema de forma viável do ponto de vista econômico. Se forem animais muito exigentes do ponto de vista térmico, é imperioso construir sombras e, quando têm mais sangue europeu, como o holandês e o pardo suíço, oferecer um sistema climatizado, refrigeração e nebulização. Desse modo, o produtor equaciona o ambiente às suas necessidades, ciente de que os custos de produção vão se elevar mais ainda.
Para Bizinoto, é fundamental a orientação técnica na propriedade, para nivelar a qualidade da área disponível às exigências da raça que será criada no local. Nesse sentido, as raças tropicalizadas têm um papel muito importante, porque, além da alta produtividade, permitem que sejam menores os custos. Além disso, é preciso saber qual o passivo do ponto de vista de segurança e saúde alimentar que será gerado com as raças européias, mais exigentes e susceptíveis a doenças, requerendo intervenções medicamentosas que deixam resíduos no leite. Isso pode causar outros problemas na comercialização do leite para o consumidor.


Já no free-stall, implica um alto investimento na climatização do ambiente. Segundo o professor, até há algum tempo, os cálculos eram de algo em torno de US$ 400 por cabeça instalada, mas esses valores caíram. O custo de manutenção das instalações é elevado, bem como o gasto de energia. Há necessidade de higienização do ambiente, com grande demanda de água, e tratamento para retorná-la à natureza. Nesse caso, o sistema seria mais adequado para as puras européias, em razão da alta produtividade, a fim de cobrir os custos. “Preciso de uma máquina de produzir leite”, comenta.
O loosing-house é um sistema intermediário entre o pasto e o free-stall. Nele, o médio produtor suplementa a alimentação bovina da seca, confinando, especificamente, nesse período. Esse criador trabalha em torno de 15 mil quilos de leite por dia, para manter seus custos de produção. Como seus custos são também elevados, precisa colocar o maior número de vacas, com capacidade de produção boa, num menor espaço possível.
No caso do produtor a pasto, para o professor, é interessante estabelecer um sistema que permita aos animais consumirem todo o pasto produzido. No sistema extensivo, o que se observa é que existem locais superpastejados, como em torno dos piquetes, e os mais distantes apresentam sobra e até perda de forragem. Isso faz com que, a médio e curto prazo, ocorra uma degradação desse pasto, acarretando prejuízos.
Por essa razão, o lado correto é manejar o pasto de maneira adequada ao número de animais que aquela área vai receber, para ser consumida de maneira uniforme. Desse modo, no sistema semi-intensivo e rotacionado o produtor, especialmente, pequeno e médio, tem perdas menores e maior lucratividade. O ideal seria empregar esse sistema para animais que produzam entre 12 e 15 litros de leite por dia, porque, do ponto de vista técnico, uma boa pastagem consegue nutrir vacas que produzem até 10 kg/l/dia e o déficit é de três a cinco kg/l/dia. Diante disso, a necessidade de concentrado seria da ordem de até 1kg a 1,5 kg por dia apenas. Com o pastejo rotacionado, o criador pode aumentar o número de animais, porque, em sistemas convencionais extensivos de 0,7 UA/ano por hectare, no caso de uma vaca adulta, a quantidade passa a ser 4,0 UA/ano/ha, chegando até a 4,9 UA/ano/ha. Então, é um sistema mais barato, que dará maior fôlego de receita anual, havendo maiores condições de manter a atividade. “Fica mais fácil para o médio e pequeno trabalhar com o sistema rotacionado, porque o sistema intensivo é para os grandes”, salientou.
Isso é diferente de uma vaca que produz 30 kg/l/dia, que é criada a pasto e está se movimentando e perdendo nutrientes que seriam por leite para poder andar. Além disso, sujeita seu úbere a cortes no pasto e ela terá de receber o concentrado em grande quantidade.
Com o animal dentro de seu ambiente, o estresse diminui, aumentando a produtividade e os níveis de doenças como a codolite, apesar do barro na época das águas principalmente.

Exemplo

Há cerca de um ano, o Grupo Ma Shou Tao instalou seu projeto free-stall na região de Conquista (MG), mas mantém gado no sistema loosing-house e a pasto. A primeira unidade já está em funcionamento, e outras duas estão previstas. O objetivo é produzir de 40.000 a 50.000 litros de leite por dia, conforme Bizinoto. Isso só é possível, porque se trata de uma empresa associada a outras empresas. Por exemplo, aquela que fornece o sêmen é responsável por todo o programa de melhoramento genético da fazenda. Tem, além da equipe da fazenda, uma série de profissionais dentro da sua especialidade que pertencem às outras empresas que ajudam o Grupo a crescer. Essa é uma visão estratégica de gestão da propriedade junto com outras empresas, reduzindo assim custos de produção até na mão-de-obra, tornando-se grande e levando junto todos os seus parceiros.
O empresário Jonadan Min Ma, da Fazenda Boa Fé, esclarece que o sistema é adotado plenamente em países desenvolvidos como Estados Unidos, México e Europa, que buscam uma alta produção de leite, em pequenas áreas, com grande concentração de gado, dando o máximo conforto para o animal, para que seu potencial seja explorado plenamente. Nas condições tropicais, embora o Grupo Ma Shou Tao trabalhe com raças como girolando e o gir leiteiro, também utiliza animais altamente especializados, como o holandês. O free-stall tem o objetivo de permitir que o animal tenha ambiente limpo, seco, confortável, com disposição de alimentos 24 horas por dia e menor sujeição às variações ambientais, como umidade, chuvas, temperatura, sol, aumentando a produção e explorando seu potencial ao máximo.
O investimento é da ordem de R$ 4.000,00 por animal, com obra de engenharia, sistema de aspersão, cama, ventilação, controle de temperatura e, por isso, recomendado para animais com médias acima de 25 litros por dia, caso contrário, não compensa. Nas condições adequadas, no entanto, o sistema se paga em torno de 18 meses, já que permite que o animal mantenha uma estabilidade maior na sua produtividade, com menor oscilação entre produção de verão e inverno, com pequena variação. Antes do free-stall, essa variação chegava até a 35% de quebra de leite no verão em comparação com o inverno. Agora, a variação não chega nem a 10%.
Outra vantagem do sistema é a produção maior, visto que o animal tem o máximo de conforto térmico e de descanso. Ele deita, rumina, tem alimento à disposição 24 horas, não sofre com calor, chuva, sol. Desse modo, tem maior ingestão de matéria seca, o que significa alta produção de leite.
Também, no free-stall, ocorre menos problema de afecção de cascos, mastite e outros, tendo o ambiente controlado. Nos outros sistemas, o barro é um dos problemas mais sérios, gerando alto nível de descarte de animais. O manejo correto em cima da dieta e o trânsito maior, entre a sala de ordenha e o local onde ficam os animais, deve ter piso emborrachado, além de piso limpo constantemente, que não permita o cimento ser abrasivo ao casco. “Tem de ser um sistema muito bem feito, para que ao invés de reduzir problemas, crie novos”, ressalta.
Hoje, a Fazenda Boa Fé tem 280 animais no free-stall, com 90m de comprimento por 30m de largura, ou seja, 2.700 metros quadrados, com 256 camas, 56 ventiladores, iluminação adequada, sistema de aspersão, camas de borracha e corredores de acesso emborrachados. Os custos de manutenção maior são na parte elétrica, de consumo de energia com os ventiladores. O custo mensal, por animal, é de R$ 10,00. A energia custa cerca de R$ 2.000,00 por mês.
No sistema a pasto, a maior desvantagem é não poder explorar o potencial produtivo do animal, no caso de produção superior a 25 litros/dia em média do rebanho. No caso de seu rebanho, com 300 animais, com produção média de 30 litros/dia, é impossível manter isso em condições de verão, com chuvas, o que acontece com o free-stall. No sistema a pasto, além disso, é necessário o monitoramento do pastejo, devendo ser rotacionado e irrigado. O custo é mais baixo, mas precisa ser gerenciado adequadamente e monitorada a oferta de silagem por animal, tendo o gestor que saber com quantos quilos de matéria seca cada vaca está se alimentando, para obter o máximo de eficiência por animal. “O produtor brasileiro é muito acostumado a gerenciar o pasto no olho, em razão da tradição nesse sistema, o que gera uma série de equívocos e problemas”, afirma Jonadan. Por dia, devem ser feitas duas contas: a oferta da entrada e da saída de matéria seca pesada e quantos quilos de matéria seca aquele gado consumiu no dia, quanto aquele pasto ofereceu e calcular em termos de unidades animais.
Na Boa Fé, também existe o sistema loosing-house no qual é ofertado ao gado suprimento, concentrado ou forragem no cocho, e o animal tem a liberdade de andar no piquete. Não é um sistema fechado como o free-stall. Porém ele está sujeito à variação de tempo, não tendo uma área fixa de conforto, a não ser a sombra demarcada, além do problema com o barro, que é o maior de todos. Mas também tem baixo custo, na área de, aproximadamente, 30 m² até 1.000 m2. É uma concentração maior de animais numa área pequena. “Todos os sistemas são bons, basta se adequar e gerenciar bem aquele pelo qual optar”, conclui o criador.





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Últimos comentários:
ANDRÉ RECH - RECH | 30/07/2013 13:56

ÓTIMA MATÉRIA ME AJUDOU MUITO. ESTAMOS PLANEJANDO MONTAR UM FREE STALL PARA 100 ANIMAIS. TEMOS 30 HA DE PASTAGEM (FENO/PRÉ SECADO) E 30 HA DE MILHO SILAGEM. COMO GERENCIAR A QUESTÃO DAS FORRAGENS PARA ESTE CASO? ABRAÇÃO

Daian franz graf - fazenda graf | 01/08/2012 12:27

boa tarde .!!!! tenho uma duvida para tirar com vc eu tenho 50 vacas...queria por um freesstal semi confinamento....ele eh viavel ou nao?? obrigado abraço


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